Speed to Fly – Teoria de Mc Cready

22 agosto 2012   //   Artigos

Speed to Fly – Teoria de Mc Cready para Cross Country

A teoria Mc Cready, recebe o nome do Sr. Paul Mc. Craedy, que foi quem criou uma tabela de cálculos para ser utilizada em planadores há décadas atrás. Nos Planadores é utilizado um anel colocado sobre o variometro analógicos, que permitem ao piloto otimizar a velocidade dos vôos de distância e de competição, em função dos valores médios das térmicas do dia. Em outras palavras, se o dia não tinha nenhuma ascendente, o valor médio das térmicas seria “0″.

Então o anel era ajustado em “0″ sobre o variometro. Se o dia tinha um valor médio de +2 m/s, então se rodava o anel até coincidir com o +2 do variometro. E assim por diante para qualquer valor estimado para as térmicas do dia, ou da parte do dia em que se está voando.

Qual a vantagem disso?

Imagine 3 pilotos que estejam na mesma altura e ao mesmo tempo dirigem-se a uma mesma térmica. O valor médio das térmicas do dia está em +2 m/s.

O primeiro piloto voa sobre o seu conceito de melhor planeio, ajustando o mesmo de acordo com a curva polar de velocidades de sua asa. Isso será o mesmo que voar em Mc Cready “0″.

O segundo piloto estima que a térmica a qual se dirige, terá um valor médio em toda sua extensão de +2 m/s e ajusta o anel de Mc Cready em + 2 m/s. Isto indicará a este piloto de que ele deve voar mais rápido em velocidade do que o primeiro piloto que está em Mc Cready “0″. Este segundo piloto que voou em maior velocidade, chegará antes na primeira térmica, logicamente mais baixo do que o primeiro irá chegar. Porém quando o primeiro piloto chegar, o segundo já estará mais alto, porque o tempo que leva para ganhar altura em uma térmica de +2 é menor do que o tempo que primeiro piloto em menor velocidade levará para chegar à térmica.

O terceiro piloto decide voar muito mais rápido entre as térmicas, ignorando qualquer tipo de cálculo, voando em um valor Mc Cready, muito mais alto do que o indicado para o dia. Chegará antes do que todos, porém tão baixo, que o segundo piloto, mesmo mais lento, chegará mais alto do que ele. O terceiro piloto estará ganhando altura em baixo dele, porém o tempo para se subir em uma térmica de +2 m/s era maior do que a diferença entre a chegada do piloto 2 na térmica. Enfim o melhor piloto nesta transição, será o que estime com maior precisão qual será a média da próxima térmica e saiba voar a velocidade apropriada de sua polar com a correção do anel de Mc Cready.

O que Mc Cready não te diz, é onde estão as térmicas, como centrá-las e em que altura elas estão melhores.

Isto pode parecer simples e de baixo nível teórico, porém na prática, temos alguns problemas! A atmosfera baixa se divide em camadas, onde as ascendentes térmicas tem valores médios diferentes. Se o piloto 2 chega na térmica antes, porém em uma altura onde a térmica sobe lenta, +1,5 m/s, e o piloto 1 que voou em Mc Cready “0″, chega mais alto na térmica com +4 m/s (o valor médio em toda extensão da térmica continua sendo +2), porém o piloto 1 terá se saído melhor. Quem sabe o piloto 3 que arriscou tudo em velocidade, encontre uma térmica recém saída do solo tão forte quanto os esperados +2, que lhe compense ter arriscado e corrido tanto!

Porque então falamos de valores médios das térmicas, sendo que nem todas as térmicas do dia possuem o mesmo valor médio! E muito menos elas possuem o mesmo valor médio em toda sua extensão?! Sempre haverá um fator sorte aleatório. Porém, aplicando a técnica em muitas térmicas e em um vôo longo, terá vantagem quem melhor aplicar a teoria Mc. Cready.

O conceito Mc Cready está baseado sobre o conceito “Speed to Fly”, onde buscamos voar na velocidade ideal da polar da asa, este deveria ser o primeiro desafio de um piloto que deseja otimizar sua velocidade de vôo em transições. Depois de integrado, o piloto pode pensar em ir mais longe, aplicando a teoria Mc. Cready. A cada dia, aplicando a teoria, sempre aparecerão novos desafios, como por exemplo, os cálculos de planeio final!

Poderíamos completar uma prova no melhor planeio em função da polar da asa, ou seja, na velocidade de melhor planeio. Ou então subirmos o mais alto possível e ir logo com a maior velocidade em direção ao Goal! O que seria melhor?

Isto depende do valor médio da última térmica que está girando! Novamente usaremos o Mc. Cready, não para estimar a velocidade até a térmica seguinte, mas para ir ao Goal o mais rápido possível em função do valor médio da última térmica que estamos girando!

O piloto 1, sai da térmica no exato momento em que percebe que já pode chegar ao Goal em seu melhor planeio.

O piloto 2, utiliza o cálculo Mc. Craedy e decide subir mais na térmica de +2 m/s, para depois sair mais alto e atrazado, porém com maior velocidade até o Goal.

Parecerá inicialmente que o piloto 1 já ganhou a prova, porém logo o piloto 2 o alcançará e o passará.

O piloto 3 sai juntamente com o piloto 1, acelerando tanto que acaba não chegando ao Goal, pousando antes.

Tudo isto são técnicas básicas, baseadas no conceito Speed to Fly (otimização das velocidades em função da polar) e na teoria Mc. Cready. Em aprimoramento, teríamos que utilizar também um cálculo com os ventos que estão incidindo durante o vôo e que veem a afetar os resultados!

Tudo isto foi simplificado com os novos aparelhos integrados ao GPS! Eles fazem todos os cálculos, adicionando velocidade de vento e de solo, transmitindo tudo em sinais visuais e sonoros para o piloto saber quando deve correr e quando deve ir devagar. E até quando deve sair da última térmica para completar a prova!

É genial e transformou a forma dos pilotos voarem, lenvando-os muito depressa para um vôo otimizado, que até agora era uma arte, uma questão de sensibilidade de cada piloto.

Porém, tudo irá por água abaixo se o altímetro não estiver bem calibrado, se a polar introduzida no aparelho não estiver correta ou se a carga alar não foi corretamente configurada! Porque o piloto acabará obedecendo instruções erradas geradas pelo aparelho e quem sabe, voará pior do que aquele piloto que seguiu simplesmente seus instintos básicos!

Temos também que reconhecer que os parapentes tem polares bem mais curtas e inclinadas, qualquer erro com os valores não alterará tanto os resultados. Um erro de 10% voando a 40 Km/h, não produz o mesmo efeito do que voando a 200 Km/h!

Então, para usar bem estas inovações, você deve calibrar muito bem seu equipamento. Para deixá-lo bem preciso, é necessário uma boa quantidade de planeios em ar super calmo e sem vento (algo quase impossível na prática), também podemos inserir a polar de nossa asa, de forma aproximada, mediando todos os valores e eliminando os valores extremos e ilógicos. Esta polar deverá ser estimada com a carga alar com a qual você está acostumado a voar. E terá que alterá-la quando utilizar lastro. Também terão que ser consideradas a temperatura, altitude e a pressão do dia!

O que para os planadores é imprescindível, para as asas delta são úteis e para os parapentes quem sabe são excessivos! Para aproveitar ao máximo os cálculos de Mc. Cready em sua forma convencional, o vario tem que funcionar com energia total compensada, de modo que o vario marque “0″ quando a atmosfera não tem nem ascendentes nem descendentes. Porém você estará baixando a taxa real de descida em sua polar para esta velocidade. E quando a térmica estiver subindo a +1 m/s, mesmo que estiver acelerando ao máximo e afundando, o vário terá que marcar +1 m/s (a energia total, revela, não o seu afundamento ou sustentação, mas sim a energia atmosférica sem a ação da asa). Enfim, indicará a real massa de ar em ascendente ou descendente ao seu redor. Muitos poucos pilotos voam com os varios configurados assim, alguns usam meio compensados e a grande maioria voam com variometros normais que indicam somente se a asa está subindo ou descendo mediante ao vôo. Mesmo utilizando estes novos equipamentos com o vario em modo normal, os cálculos realizados por ele são compensados. Desta maneira você não se sente tão estranho com a sua leitura!

Antes de se aprofundar e dedicar muito tempo para aproveitar todas as qualidades do seu novo vário, deve-se perguntar se você quer mesmo voar melhor, seguindo como um robô os instrumentos para ter ótimas vantagens sobre os outros pilotos!? Para voar melhor de verdade, estude a teoria de otimização de velocidades pela polar (speed to fly) e a teoria de cálculos de Mc. Cready, estabeleça suas polares e pratique tudo o que pode em vôos com condições distintas, estimando os valores médios, comprovando logo as taxas de acertos e aproveitando a presença dos outros companheiros, que de acordo com você, possam voar as mesmas transições em valores de Mc. Cready diferentes, para ver o que acontece! Enfim, aplique a teoria de forma prática sem prestar demasiada atenção para as flechas do vario, a não ser para a gulha do vario e para as condições do dia. Se prefere algo mais cômodo e deseja voar por “instrumento”, então, deixe que as flechas decidam por você!

O que mais desfrutamos na aparição do GPS e sua integração com o variometro moderno, é a informação que eles dão referente a direção e intensidade do vento, com sua ajuda, entendemos melhor o que está acontecendo com o vento durante o vôo.

Você pode se aprofundar mais na teoría de Mc. Cready, lendo livros avançados de vôo a vela.

 

Fonte: DustDevil.com.br

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