Saiba mais sobre as diversas modalidades de Voo de Parapente

20 maio 2012   //   Artigos

O parapente é um esporte que chama atenção pela sua versatilidade. Logo de cara, algumas pessoas enquadram esta modalidade em “esportes radicais”, mas a verdade é que o parapente pode muito bem ser (e é, na maioria das vezes) o oposto polar do radical.

Se, apenas para iniciar, fizermos uma análise no aspecto técnico veremos que o parapente é a aeronave que tem a menor velocidade de deslocamento possível. Em termos práticos, isto significa muita suavidade tanto para decolar, pousar, quanto para voar.

Imagine que na maior parte do tempo, nas rampas de decolagem o vento sopra de intensidade calma para moderada, o que em números, significa cerca de 20km/h. Se lembrarmos que o parapente se desloca no ar a cerca de 35km/h, teremos uma resultante (velocidade absoluta) de apenas 15km/h quando o piloto se desloca contra o vento. Na prática isto significa quase flutuar sobre o chão, algo como o que os anjos fazem após o almoço…

Mas logo no inicio deste texto, falamos sobre versatilidade; vamos a ela então. As diferentes categorias de voo de parapente:

O voo de ascendente dinâmica

Popularmente chamado de voo de lift pelos pilotos, este tipo de voo é praticamente o mais comum, mais fácil e praticado no mundo todo. Consiste em aproveitar o desvio para cima que o vento faz ao passar por uma montanha e utilizar a corrente ascendente resultante para permanecer voando sem perder altura.

É fácil entender, já que o parapente é um tipo de planador e, conseqüentemente, não possui propulsão – ele está sempre descendo se o ar não se move verticalmente. Neste caso, o ar está se movendo para cima forçado pela saliência da montanha criando uma espécie de colchão de ar que serve de sustentação extra para o parapente.

Uma vez que está ventando, a velocidade em relação ao solo é muito baixa (naturalmente quando o piloto voa contra o vento, já que quando voa a favor, tem a velocidade aumentada; veremos isto a seguir), tornando o voo de lift muito suave e agradável. Imagine você pendurado no céu a cerca de duzentos metros de distância de uma linda montanha com um maravilhoso final de tarde, num voo absolutamente liso e confortável. Dá para passar todos os momentos de sua vida em revista numa hora destas.

Durante o voo de lift, dependendo das condições da decolagem, é possível aproximar-se das pessoas na rampa como que flutuando sobre elas, inclusive efetuando pousos na própria rampa de onde você decolou. Dá para imaginar que excitante deixar o chão como que erguido aos céus, ficar um tempão curtindo a paisagem e depois fazer uma manobra e
retornar exatamente para o mesmo local de onde você saiu?

Brincadeiras como entregar objetos ou tocar as mãos dos pilotos que se aproximam da rampa são muito comuns. Tudo isto faz do voo de lift uma delícia que apaixona qualquer pessoa seja ela aficionada ou não do esporte.

O voo térmico - Cross contry

O vôo de XC é o voo de longa distância. Consiste em subir o máximo utilizando as térmicas para partir numa determinada direção procurando voar o mais longe possível. Trata-se, na minha opinião, da mais espetacular atividade permitida pelo parapente.

A capacidade de subir uma térmica, deslocar-se perdendo altura até finalmente encontrar uma nova termal, subir novamente e assim sucessivamente até pousar no final do dia em algum lugar dezenas e até centenas de quilômetros de onde você estava, sem nenhum tipo de propulsão é algo difícil de ser expressado em palavras.

Muitas vezes quando você está voando nas térmicas, nem acredita que é possível conseguir fazer voos de longa distância. Então o piloto inicia o voo e as horas vão passando e as cidades vão ficando para trás junto com todo seu
stress. Em dado momento, você está no meio do céu, a milhares de metros de altura, absolutamente sozinho, olha a sua volta e vê a grandiosidade de tudo que o cerca parando um instante para pensar “como é bom estar vivo!”.

Não é nada fácil fazer vôos de Cross Country. A maioria dos pilotos passa praticamente toda sua vida de voador se aperfeiçoando para conseguir fazer um vôo mais longo e sempre aparece alguém que consegue ir mais longe ainda.

O piloto brasileiro Marcelo Prieto (o Cecéu) foi o primeiro piloto no mundo a romper a marca dos 400 voando 402 quilômetros no deserto de Zapata no Texas. Foi superado apenas vinte minutos mais tarde por um piloto canadense que voou 423 quilômetros quebrando o recorde mundial de distância na época: 337 quilômetros.

Um voo destes leva mais de dez horas para ser feito; isto significa dez horas pilotando um parapente – atravessando um deserto absolutamente inóspito onde um pouso feito em um local de difícil acesso pode até significar a morte do piloto por desidratação ou frio.

É claro que ninguém sai por aí morrendo de tanto voar; esta situação representa aquilo de mais extremo possível proporcionado pelo esporte. Algo como nadar um pouco numa praia do litoral norte comparado a atravessar o
canal da mancha a nado.

O voo duplo

O voo duplo permite que duas pessoas voem junto em um único parapente, que é maior que um normal de voo solo. Qualquer pessoa pode experimentar a incrível sensação de voar de parapente com um instrutor habilitado sem que para isto precise frequentar um curso para aprender a voar.

Praticamente tudo o que é possível no voo solo, o é também no duplo. A duração do vôo fica por conta das condições do tempo e da vontade de passageiro. Podendo durar de 10 a 30 minutos.

Voo duplo de parapente é uma ótima oportunidade para conhecer melhor o esporte.

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