Meteorologia – Capítulo 2 – Sistemas Frontais

Sistemas Frontais

Sistema frontal
É uma superfície que separa duas massas de ar de características diferentes, principalmente em temperatura e umidade. Também é conhecido por uma linha de descontinuidade entre duas massas de ar com características diferentes. No seu movimento, as massas de ar de diferentes características de temperatura, pressão e umidade, encontram-se dando origem ao chamado sistema frontal, que é composto, de um modo geral, por uma frente fria, o motor do sistema, e uma frente quente que antecede.

Sistemas frontais existentes:

  • Frentes quentes – Movem-se devagar, com declives suaves. O deslizamento do ar quente sobre o ar frio produz um sistema de nuvens. Estas nuvens podem estender-se a 1500 km à frente da posição da frente na superfície. As nuvens associadas são predominantes estratiformes e aparecem na seguinte sequência: cirros, cirro-estratos, altostratos e nimbistratos. A faixa onde a massa de ar temperado volta a ter contacto com ar mais frio e denso, sendo assim, forçado a subir também em forma de cunha, designa-se por frente quente.
  • Frentes frias – Movem-se mais rapidamente e têm um declive mais acentuado que as frentes quentes. Quando o ar quente envolvido numa situação de frente fria é úmido e estável, as nuvens predominantes são estratiformes (nimbistratos, altostratos, cirrostratos com precipitação moderada. Quando o ar quente é úmido e instável as nuvens são cumuliformes, a precipitação é de moderada a forte. A faixa onde o ar mais frio e denso embate na massa de ar temperado e menos denso, empurrando-a em forma de cunha e obrigando a a subir, designa-se por frente fria. Entenda mais sobre as frentes frias aqui.
  • Frentes oclusas – Surge quando uma frente fria se encontra com uma frente quente. Regra geral a chuva não é forte, tem muito tipo de nuvens e demora mais tempo a passar.
  • Frentes estacionárias

A faixa onde o ar mais frio e denso embate na massa de ar temperado e menos denso, empurrando-a em forma de cunha e obrigando a a subir, designa-se por frente fria.

A faixa onde a massa de ar temperado volta a ter contacto com ar mais frio e denso, sendo assim, forçado a subir também em forma de cunha, designa-se por frente quente.

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Quando ambas as frentes se encontram à superfície, na fase final do sistema, diz-se que estamos em presença de uma oclusão ou frente oclusa.

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Corte vertical de uma superfície frontal quente.

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Corte vertical de uma superfície frontal fria.

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Sequência normal das condições de tempo associados à passagem de uma superfície frontal quente.

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Sequência normal das condições de tempo associados à passagem de uma superfície frontal fria.

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Frente quente numa carta meteorológica.

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Frente fria numa carta meteorológica.

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Exemplo duma Frente oclusa.

Os mapas meteorológicos de superfície e os ventos

pressão atmosférica é é a força (o peso) que o ar exerce (por unidade de área) sobre uma superfície. Quando o número de moléculas de ar sobre uma superfície aumenta, aumenta a pressão sobre ela. Por isso, a pressão diminui geralmente com a altitude porque há menos moléculas de ar em cima.

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Nos mapas meteorológicos de superfície, os valores da pressão à superfície são corrigidos para valores equivalentes de pressão ao nível das águas do mar (para corrigir os efeitos de variação de pressão com a elevação do terreno). Com base no desenho num mapa das linhas que unem áreas com igual pressão à superfície: as linhas isobáricas, podem-se localizar áreas de baixas e altas pressões que correspondem a ciclones e anticiclones. Uma região de baixas pressões é um local onde a pressão atmosférica é a mais baixa da sua vizinhança. Uma região de altas pressões é um local onde a pressão atmosférica é a mais alta da sua vizinhança. As linhas isóbaras fechadas e circulares mostram os centros de alta pressão (anticiclones), indicados num mapa por «A», em que as isóbaras de valores maiores se situam no centro, e de baixa pressão (depressões ou ciclones), indicados num mapa por «B», em que as isóbaras de valores menores se situam no centro.

A distribuição dos sistemas de altas e baixas pressões influencia os padrões de ventos e precipitação. Uma grande diferença de pressão faz com que o ar se mova mais rapidamente, resultando em ventos fortes. Uma diferença menor causa ventos mais fracos. Nos locais onde houver linhas isobáricas mais apertadas entre si os gradientes de pressão serão mais elevados e existirão ventos fortes.

São diferenças no aquecimento e movimento da atmosfera que criam diferenças na pressão atmosférica. Onde há massas de ar frio descendente, geram-se regiões de altas pressões. Onde massas de ar quente ascendem, há regiões de baixas pressões. A água dos oceanos mantém uma temperatura mais consistente; arrefece e aquece mais lentamente que a terra. No inverno, os continentes arrefecem mais do que os oceanos e isso cria regiões de altas pressões sobre eles. No verão, acontece o oposto; os continentes aquecem mais e o ar quente ascendente sobre eles gera regiões de baixas pressões sobre eles.

Ciclones e Anticiclones

Um ciclone (ou depressão ou centro de baixas pressões) é uma região em que ar relativamente quente se eleva e favorece a formação de nuvens e precipitação. Por isso tempo nublado, chuva e vento forte estão normalmente associados a centros de baixas pressões. A instabilidade do ar produz um grande desenvolvimento vertical de nuvens cumuliformes associadas a cargas de água. São indicados num mapa por «B» e são um locais onde a pressão atmosférica é a mais baixa na sua vizinhança e em volta do qual existe um padrão organizado de circulação de ar. À medida que o ar flui dos centros de altas pressões para um centro de baixas pressões, pela ação do diferencial de pressões, é deflectido pela força de Corilolis de tal modo que os ventos circulam em espiral ao longo das isóbaras, com um desvio no sentido da depressão, e na direção ciclônica, isto é, na direção oposta ao dos ponteiros de um relógio no Hemisfério Norte e no sentido inverso no Hemisfério Sul. Os ciclones são fáceis de reconhecer num mapa de observações à superfície pelos ventos que tendem a fluir com uma rotação anti-horária (e – «em espiral» – na direção dele) e nas imagens de satélite pela configuração em forma de vírgula de bandas de nuvens.

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Um ciclone em desenvolvimento é tipicamente acompanhado (a leste do centro de baixas pressões) por uma frente quente atrás da qual ventos de sul transportam para norte o ar quente e úmido de uma massa de ar quente, contribuindo para a desenvolvimento de precipitação. Atrás do centro de baixas pressões (a Oeste dele), ventos de norte transportam ar mais frio e seco para o sul, com uma frente fria marcando o bordo da frente dessa massa de ar mais fria e seca.

Um anticiclone (ou centro de altas pressões) é uma região em que o ar se afunda vindo de cima (e aquece e fica muito estável) e suprime os movimentos ascendentes necessários à formação de nuvens e precipitação. Por isso bom tempo (seco e sem nuvens) está normalmente associados aos anticiclones. São indicados num mapa por «A» e são um locais onde a pressão atmosférica é a mais alta na sua vizinhança. À medida que o ar flui a partir dos centros de altas pressões é deflectido pela força de Corilolis de tal modo que os ventos circulam em volta dele na direção dos ponteiros de um relógio no Hemisfério Norte (e no sentido inverso no Hemisfério Sul) – a chamada direção anticiclônica.

Num anticiclone o movimento do ar é descendente, em espiral, expandindo-se à superfície, enquanto numa depressão o movimento é ascendente, em espiral, concentrando-se à superfície.

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Veja a continuação em Meteorologia – Capítulo 3

Créditos: Federação Portuguesa de Voo Livre

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